Protocolo Anestésico com Xilazina e Quetamina para Répteis

 Anestesiar répteis requer um manejo cuidadoso devido às suas características fisiológicas, como metabolismo mais lento, menor capacidade de resposta a alterações no sistema cardiovascular e respiratório, e a possibilidade de complicações mais graves em resposta ao estresse ou à anestesia. Um protocolo anestésico para répteis, utilizando xilazina e quetamina, deve ser ajustado de acordo com a espécie, peso e estado de saúde do animal, já que diferentes répteis podem responder de maneiras variadas.

Aqui está um protocolo adaptado para répteis, utilizando xilazina e quetamina:


Protocolo Anestésico com Xilazina e Quetamina para Répteis

Objetivo:

Proporcionar sedação e anestesia para procedimentos clínicos ou cirúrgicos em répteis de maneira segura, minimizando riscos relacionados à respiração e à função cardiovascular.

Medicamentos Utilizados:

  • Xilazina: Agonista alfa-2 adrenérgico utilizado para sedação e controle da dor.
  • Quetamina: Anestésico dissociativo que fornece analgesia e anestesia, utilizado para indução rápida e profunda.

Protocolo de Indução Anestésica:

  1. Pré-medicação (sedação e analgesia):

    • Xilazina:
      • Dose recomendada: 0,5 a 1,0 mg/kg IM ou SC (subcutânea ou intramuscular), dependendo do tamanho e da espécie do réptil.
      • Observação: A xilazina pode causar depressão cardiovascular e respiratória, portanto, é fundamental monitorar a frequência cardíaca e respiratória durante o procedimento. O efeito sedativo pode levar de 10 a 20 minutos para ser total.
  2. Anestesia (indução profunda):

    • Quetamina:
      • Dose recomendada: 5 a 10 mg/kg IM ou IV.
      • Observação: A quetamina induz anestesia dissociativa, proporcionando boa analgesia e relaxamento muscular. A indução ocorre de 5 a 10 minutos após administração intramuscular, mas pode ser mais rápida se administrada por via intravenosa.

Manutenção Anestésica:

  • Quetamina:
    • Infusão contínua: Para manter a anestesia durante procedimentos longos, pode-se administrar uma infusão contínua de 1 a 3 mg/kg/h IV.
    • Alternativa: Administrar 5 a 10 mg/kg de quetamina IM a cada 20-30 minutos para manter a profundidade anestésica, dependendo do tempo do procedimento e da resposta do réptil.
  • Monitoramento:
    • Frequência cardíaca: Os répteis têm uma frequência cardíaca significativamente mais baixa que mamíferos (geralmente entre 20 e 40 bpm, dependendo da espécie). A diminuição da frequência cardíaca durante a anestesia deve ser observada e, se necessário, ventilação assistida deve ser realizada.
    • Frequência respiratória: Monitoramento da ventilação é crucial. A respiração dos répteis é mais lenta e superficial. Em alguns casos, pode ser necessária a ventilação assistida, especialmente se a ventilação espontânea for inadequada.
    • Temperatura corporal: Como répteis são ectotérmicos, sua temperatura corporal deve ser monitorada com precisão. Durante a anestesia, é essencial mantê-los aquecidos, utilizando aquecedores ou cobertores térmicos. A temperatura ideal durante a anestesia deve ficar entre 28°C e 32°C.
    • Saturação de oxigênio (SpO2): Idealmente, deve-se utilizar um oxímetro de pulso adequado para répteis para monitorar a saturação de oxigênio e garantir que o animal não esteja sofrendo de hipóxia.

Antagonismo de Xilazina (se necessário):

  • Atipamezole (antagonista alfa-2):
    • Dose recomendada: 0,5 a 1,0 mg/kg IM.
    • Observação: Caso haja sedação excessiva ou sinais de depressão respiratória devido à xilazina, o antagonista pode ser administrado para reverter a sedação, promovendo recuperação mais rápida.

Analgesia Pós-Operatória:

  • Opióides (como morfina ou buprenorfina) podem ser usados para controle pós-operatório da dor:
    • Morfina: 0,1 mg/kg IM, repetido a cada 12 horas, conforme necessário.
    • Buprenorfina: 0,01 a 0,02 mg/kg IM, repetido a cada 12-24 horas.
  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser utilizados, mas com cautela. A dose e a escolha do AINE devem ser ajustadas para evitar qualquer efeito adverso renal ou gastrointestinal.

Cuidados Pós-Anestesia:

  • Monitoramento pós-operatório: O réptil deve ser monitorado até a recuperação completa da anestesia, com foco especial na respiração e temperatura corporal.
    • Aquecimento: Devido à natureza ectotérmica dos répteis, é crucial manter uma fonte de calor próxima ao animal após a anestesia. Isso ajuda na recuperação da função metabólica e evita hipotermia.
    • Hidratação: Os répteis podem desidratar rapidamente após anestesia. Assegure-se de que eles tenham acesso à água fresca assim que possível após a recuperação.
    • Alimentação: Após a recuperação completa, o réptil deve ser alimentado adequadamente. Os répteis podem ter um apetite reduzido após anestesia, portanto, é importante observar o consumo de alimentos nas primeiras horas pós-operatórias.

Considerações Especiais:

  • Especies Variáveis: As doses podem variar dependendo da espécie de réptil. O tamanho e a fisiologia de uma tartaruga, por exemplo, podem exigir ajustes diferentes se comparado a uma serpente ou lagarto. É fundamental ajustar as doses e o protocolo conforme a espécie específica e suas características fisiológicas.
  • Monitoramento Rigoroso: A monitorização contínua da temperatura, frequência respiratória e cardíaca é obrigatória. Se houver qualquer sinal de comprometimento respiratório ou cardiovascular, a ventilação assistida pode ser necessária.
  • Suscetibilidade ao estresse: Répteis são extremamente suscetíveis ao estresse, que pode piorar o quadro clínico durante a anestesia. Tente manter um ambiente tranquilo e sem manipulação excessiva durante o procedimento.

Conclusão:

A combinação de xilazina e quetamina pode ser eficaz para a maioria dos procedimentos anestésicos em répteis, desde que administrada com precisão e monitorada com cuidado. Os répteis, devido à sua fisiologia única, exigem uma abordagem cuidadosa para garantir a segurança e o bem-estar durante a anestesia. O monitoramento contínuo, a manutenção da temperatura e da ventilação adequadas, além da monitorização da recuperação pós-operatória, são essenciais para garantir uma recuperação bem-sucedida

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