O protocolo anestésico para uma tartaruga ( Xilazina e Quetamina )

 O protocolo anestésico para uma tartaruga é diferente, considerando as peculiaridades fisiológicas desses animais, como seu metabolismo mais lento e as características respiratórias. Tartarugas têm um sistema cardiovascular e respiratório mais sensível a alterações durante a anestesia, portanto, a escolha e as doses dos medicamentos devem ser cuidadosamente ajustadas.

Aqui está um protocolo anestésico com xilazina e quetamina para uma tartaruga, adaptado para minimizar riscos e garantir a segurança do animal:


Protocolo Anestésico com Xilazina e Quetamina para Tartaruga

Objetivo:

Proporcionar sedação e anestesia segura para procedimentos de curta a média duração em tartarugas, com monitoramento adequado dos sinais vitais e controle da respiração.

Medicamentos Utilizados:

  • Xilazina: Agonista alfa-2 adrenérgico utilizado para sedação e analgesia.
  • Quetamina: Anestésico dissociativo que promove anestesia e analgesia moderada.

Protocolo de Indução Anestésica:

  1. Pré-medicação (sedação e analgesia):

    • Xilazina:
      • Dose recomendada: 0,5 a 1,0 mg/kg IM ou SC, dependendo do tamanho e condição clínica da tartaruga.
      • Observação: A xilazina deve ser administrada com cuidado, pois pode causar depressão respiratória e cardiovascular, especialmente em tartarugas de espécies mais sensíveis.
      • Tempo de ação: A sedação começa em 10 a 15 minutos após a administração, mas a resposta pode ser mais lenta em tartarugas, pois seu metabolismo é reduzido.
  2. Anestesia:

    • Quetamina:
      • Dose recomendada: 5 a 10 mg/kg IM ou IV, dependendo do tipo de procedimento e da resposta do animal.
      • Observação: A quetamina deve ser administrada lentamente para evitar qualquer efeito adverso, como hipertensão ou aumento da pressão intracraniana.
      • Tempo de início: A indução ocorre geralmente em 5 a 10 minutos após a administração intramuscular, ou mais rapidamente se administrada intravenosa.

Manutenção Anestésica:

  • Quetamina:

    • Infusão contínua (opcional): Para manutenção da anestesia durante procedimentos mais longos, pode-se iniciar uma infusão contínua de 1 a 3 mg/kg/h IV. Isso pode ser ajustado de acordo com a profundidade anestésica necessária.
    • Alternativa: Administrar doses adicionais de quetamina (metade da dose inicial) a cada 20-30 minutos, se necessário.
  • Monitoramento:

    • Monitoramento de sinais vitais: Frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação de oxigênio (SpO2) e temperatura corporal.
    • Ventilação assistida: As tartarugas têm uma capacidade respiratória limitada durante a anestesia, e a ventilação assistida pode ser necessária. A ventilação mecânica ou manual (com compressões torácicas leves) pode ser realizada para garantir a oxigenação adequada.
    • Reflexos: O reflexo palpebral e o reflexo de dor (em resposta ao toque nas patas) devem ser monitorados. A ausência do reflexo palpebral indica anestesia adequada.

Antagonismo de Xilazina (caso necessário):

  • Atipamezole (antagonista alfa-2):
    • Dose recomendada: 0,5 a 1 mg/kg IM.
    • Observação: A reversão de xilazina deve ser feita se a tartaruga estiver apresentando depressão respiratória ou outros sinais de sedação excessiva.

Analgesia Pós-Operatória:

  • Opióides (como morfina ou buprenorfina) podem ser usados para controle pós-operatório da dor. A morfina pode ser administrada em doses de 0,1 mg/kg IM, enquanto a buprenorfina pode ser administrada em 0,01 mg/kg IM.
  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs): Em tartarugas, o uso de AINEs deve ser cauteloso, pois eles podem afetar negativamente a função renal. Sempre avaliar a necessidade com base na condição clínica do animal.

Cuidados Pós-Anestesia:

  • Monitoramento pós-operatório: A tartaruga deve ser monitorada até que recupere a consciência e a função respiratória normal. Observar a resposta ao estímulo e os reflexos.
    • Aquecimento: Como tartarugas são ectotérmicas, elas precisam ser mantidas em uma temperatura adequada após a anestesia para evitar hipotermia.
    • Hidratação: Oferecer acesso a água fresca após a recuperação completa da anestesia, pois tartarugas podem desidratar rapidamente se não forem adequadamente hidratadas.
    • Alimentação: Não oferecer alimentos até que a tartaruga tenha se recuperado completamente da anestesia e mostre sinais de estar completamente alerta e capaz de se alimentar.

Considerações Especiais:

  • Monitoramento rigoroso: Durante a anestesia, o monitoramento contínuo da frequência cardíaca, respiratória e saturação de oxigênio é fundamental. Como tartarugas têm uma frequência cardíaca mais baixa e uma respiração mais lenta, alterações podem ocorrer rapidamente.
  • Dosagem: As doses devem ser ajustadas com base no tamanho da tartaruga, com muito cuidado para evitar overdose, que pode ser fatal.
  • Tempo de recuperação: A recuperação pode ser mais lenta em tartarugas devido ao seu metabolismo reduzido. Manter o ambiente aquecido e tranquilo ajudará a acelerar o processo de recuperação.
  • Cautela com espécies: Algumas espécies de tartarugas podem ser mais sensíveis a certos anestésicos do que outras. Certifique-se de ajustar a dosagem conforme necessário para cada caso específico.

Conclusão:

Este protocolo de anestesia para tartarugas utilizando xilazina e quetamina proporciona um bom controle da sedação e anestesia, com um risco relativamente baixo se cuidadosamente monitorado. O monitoramento adequado e a gestão cuidadosa da respiração e dos sinais vitais são essenciais para garantir a segurança do animal durante todo o processo anestésico

atendimento online

Definition List

Unordered List