A anestesia em cavalos requer um protocolo

 A anestesia em cavalos requer um protocolo cuidadosamente ajustado, já que são animais de grande porte com particularidades fisiológicas que exigem atenção específica. Cavalos têm um sistema cardiovascular e respiratório único, e a anestesia deve ser administrada com cautela para evitar complicações, como hipotensão, hipoventilação e síndrome de compartimento, além de garantir a manutenção de parâmetros hemodinâmicos estáveis durante o procedimento.

A combinação de xilazina e quetamina é comumente utilizada em protocolos anestésicos para cavalos, já que essa combinação proporciona sedação profunda, analgesia e controle motor adequado.

Protocolo Anestésico para Cavalos: Xilazina e Quetamina

Objetivo:

Fornecer sedação, analgesia e relaxamento muscular adequado para procedimentos clínicos e cirúrgicos em cavalos, minimizando os riscos relacionados à anestesia.

Medicamentos Utilizados:

  • Xilazina: Agonista alfa-2 adrenérgico que proporciona sedação e analgesia. A xilazina também tem um efeito vasoconstritor, o que pode ajudar a reduzir a perda sanguínea durante a cirurgia.
  • Quetamina: Anestésico dissociativo que proporciona analgesia e sedação, com um efeito relaxante muscular que, em combinação com a xilazina, permite uma boa indução e manutenção anestésica.

Protocolo de Indução Anestésica:

  1. Pré-medicação (Sedação e Analgesia):

    • Xilazina:
      • Dose recomendada: 0,3 a 0,5 mg/kg IV ou IM (dependendo da urgência do procedimento e do estado do animal).
      • Observação: A xilazina causa sedação intensa, e o efeito começa em 5 a 10 minutos após a administração. Em cavalos, a xilazina pode ter um efeito profundo, e o animal pode ficar bastante calmo ou até recostar-se.
  2. Indução da Anestesia (Quetamina):

    • Quetamina:
      • Dose recomendada: 2 a 3 mg/kg IV.
      • Administração: A quetamina deve ser administrada rapidamente após a pré-medicação com xilazina para garantir uma indução anestésica suave. Em alguns casos, a quetamina pode ser administrada em bolus, seguida de uma infusão contínua, se necessário.
      • Observação: A indução ocorre rapidamente após a administração de quetamina, com o animal entrando em um estado de anestesia dissociativa, onde ele pode não responder a estímulos visuais ou auditivos, mas manter uma certa resposta à dor.

Manutenção Anestésica:

  1. Manutenção com Quetamina e Xilazina:
    • Infusão contínua:
      • Quetamina: 0,5 a 1,0 mg/kg/h (IV). A infusão contínua de quetamina ajuda a manter a anestesia sem a necessidade de grandes doses em bolus, reduzindo riscos de efeitos adversos.
      • Xilazina: Pode ser administrada em doses repetidas 0,1 a 0,2 mg/kg IV a cada 20-30 minutos, se necessário, para manter o nível de sedação e analgesia.
  2. Alternativa: Caso não seja possível manter uma infusão contínua, a administração em bolus pode ser feita para manter a anestesia.
    • Dose de reforço de quetamina: 2 a 3 mg/kg IV, dependendo da resposta do animal e da profundidade da anestesia necessária para o procedimento.

Monitoramento:

É crucial monitorar continuamente a função cardiovascular, respiratória e térmica durante a anestesia.

  1. Frequência cardíaca: A frequência cardíaca normal para cavalos em anestesia está entre 30 e 50 bpm, mas pode diminuir com a administração de xilazina. Se a frequência cair abaixo de 30 bpm, deve-se avaliar a necessidade de ventilação assistida.

  2. Pressão arterial: A pressão arterial deve ser monitorada, pois a xilazina pode causar hipotensão. Se necessário, pode-se administrar fluidos intravenosos para corrigir a pressão baixa.

  3. Ventilação: Monitorar a frequência respiratória é essencial, já que a xilazina pode causar depressão respiratória. Se a ventilação for inadequada, ventilação assistida deve ser iniciada.

  4. Temperatura corporal: A temperatura corporal deve ser monitorada continuamente. Cavalos sob anestesia têm maior risco de hipotermia, especialmente se o procedimento for prolongado, devido à perda de calor corporal.

  5. Posicionamento e proteção: Como os cavalos são grandes e pesados, é importante garantir um bom suporte durante a anestesia para evitar lesões musculares ou articulares. Utilizar colchões ou almofadas macias para evitar lesões pelo impacto ao deitar o animal.

Antagonismo de Xilazina (se necessário):

  • Atipamezole: Pode ser administrado para reverter os efeitos da xilazina, caso o cavalo apresente sedação excessiva ou depressão cardiovascular respiratória.
    • Dose recomendada: 1 mg de atipamezole para cada mg de xilazina administrada IV.

Analgesia Pós-Operatória:

Após a cirurgia, é importante garantir que o cavalo receba analgesia adequada para minimizar o desconforto pós-operatório.

  1. Opióides:

    • Morfina: 0,1 a 0,2 mg/kg IV ou IM a cada 6 a 8 horas, conforme necessário.
    • Buprenorfina: 0,01 a 0,02 mg/kg IV ou IM a cada 12 horas.
  2. AINEs:

    • Flunixina meglumine (Banamine): 1,1 mg/kg IV ou IM, repetido a cada 12 a 24 horas, para controle da dor e inflamação.

Cuidados Pós-Anestesia:

  1. Monitoramento Pós-Operatório: O cavalo deve ser monitorado atentamente enquanto se recupera da anestesia. Observando sua capacidade de se levantar e a normalização da frequência cardíaca e respiratória.

  2. Hidratação e Suporte Nutricional: Garanta que o cavalo tenha acesso a água fresca e alimentos após o procedimento, mas apenas após a recuperação total da anestesia.

  3. Prevenção de Colapso: Como os cavalos têm grandes massas musculares, é importante garantir que eles tenham uma superfície macia para se deitar e se levantar. Se o cavalo não se levantar após a anestesia, pode ser necessário fornecer assistência.

Considerações Especiais:

  • Específica para cada cavalo: A dosagem de xilazina e quetamina pode variar dependendo do peso, condição física e saúde do cavalo. Cavalos de corrida ou mais jovens podem responder de forma diferente em comparação com cavalos idosos ou com problemas cardíacos.

  • Espécies e Raças Variadas: Cavalos de diferentes raças podem ter respostas variadas à anestesia. Cavalos de raças com predisposição a distúrbios cardíacos ou respiratórios devem ser monitorados ainda mais de perto.

Conclusão:

O protocolo de xilazina e quetamina é uma escolha eficaz para a maioria dos procedimentos anestésicos em cavalos, desde que administrado com cuidado e monitorado de perto. A sedação profunda, a analgesia adequada e o controle da função cardiovascular e respiratória são essenciais para garantir a segurança do animal durante o procedimento. Além disso, o suporte pós-operatório e a prevenção de complicações são fundamentais para uma recuperação bem-sucedida.

Se precisar de mais detalhes ou ajustes em relação a procedimentos específicos, estou à disposição para ajudar!

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